Sei que você tinha o costume de falar que eu era muito exagerada, que eu sempre brigava por pouca coisa, que eu fazia tempestade em copo d’agua. E talvez seja verdade, eu era tudo isso que você falava, acho que ainda devo ser.

Mas sabe o que eu percebi desde que você entrou no carro e nunca mais voltou? Eu comecei a perceber que eu exagerava mesmo, com muita coisa. Exagerei na atenção que eu te dava, na preocupação que me dominava querendo saber se você estava bem, nas mensagens incessantes que eu te mandava e você ignorava, e quando me respondia, dizia que teu silêncio era porque você, na verdade, me amava.

Eu percebi que estava colocando energia demais onde não havia mais forma de condução, não havia mais pra onde toda essa energia ir, todo esse amor que eu estava gastando com você, com nós. Era como uma corrente de eletricidade passando por um fio cortado antes que pudesse emendar em outros pra ter continuidade.

Meu amor por você foi uma intensidade que nem eu mesma conseguia entender, e por isso ficava difícil controlar, ponderar, onde é que eu estava exagerando. Foram tantos e tantos dias, noites sem dormir, pensando, tentando entender no que eu estava errando, sem nenhum resultado muito produtivo, e no outro dia lá estava eu fazendo tudo de novo.

A conclusão em que cheguei veio só muito tempo depois daquele teu último abraço. Eu sei que errei em muitos momentos na nossa história, e sei que alguns desses erros foram exagerar demais em coisas que mal tinham tamanho para serem consideradas como problemas. Mas também entendi, que todo esse meu exagero era uma das maneiras que eu encontrava de manifestar meu medo de te perder, e sei pode não ser uma boa justificativa, mas era o meu querer que a gente desse certo, meu querer que você não desistisse de nós dois. Meu exagero nada mais era que uma forma de desespero.

Era um desespero pela ideia de possivelmente ter que lidar com tua perda, em não ter mais a tua companhia que me alegrava tanto todos os dias. Era o medo em ter que ouvir “velha infância” tocando no rádio e lembrar da tua ausência, além de aguentar a saudade de como meu riso era feliz contigo e que meu melhor amigo era mesmo o meu amor.

Meu exagero também me mostrou que eu lutei por você com todas as armas que achei que eu tinha, e mesmo hoje vendo que talvez não tenham sido as melhores pra eu ter usado naqueles momentos, foi tudo o que eu pude fazer por nós, foi tudo o que eu tinha.

Dizem que a gente não consegue pensar muito quando estamos apaixonados, e pra mim isso fez muito sentido, porque eu joguei fora de mim qualquer tipo de racionalidade, exagerei no quanto te quis e no quanto eu lutei por nós, sem colocar na balança os prós e contras de toda essa luta.

Mas também dizem que é muito mais fácil se arrepender pelo o que fez do que se arrepender daquilo que deixou de fazer. E se tem algo que não posso me arrepender é de ter agido, brigado, exagerado, pela nossa história e pelo nosso amor, até o final e um pouco depois dele.

No fim das contas, eu acabei percebendo que amar é mesmo um exagero. E se tivesse que voltar no tempo acho que teria feito tudo de novo, por isso não posso me arrepender e nem me desculpar com você. Por ter exagerado em te dar o sentimento mais maluco e lindo que um dia habitou esse coração que tanto exagerou, e com isso, eu quero dizer, que te amou.

– Jessica Holtz

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